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            História da Freguesia – Origem

            No livro publicado em 1945 “A Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela”, fazendo uma alusão à origem do nome de Parada de Gonta, diz que ela aparece designada por Parada na Carta de Couto de 1133 de Sabugosa e nas inquirições de 1258 aparece como “vila de Parada”. Diz ainda que o determinativo de Gonta é nome de homem germânico, mencionado entre os nomes simples da obra de M. Lubke, Gonta – Gunta “O Combatente”.

O poeta, escritor e homem de estado dali natural, Tomás Ribeiro, o grande obreiro da autonomia de Parada da freguesia de S. Miguel do Outeiro, teria dado o novo determinativo a Parada. É, todavia, o professor Pais de Figueiredo que ao publicar um opúsculo em 1965, baseado num trabalho de Dr. Maximiano de Aragão sobre o curriculum vitae do poeta, põe em causa se foi, na verdade, Tomás Ribeiro quem crismou Parada de Gonta o nome da sua Terra Natal, nome dado também a filhos seus.

            Parada de Gonta já vem designada no livro paroquial de registos de óbitos da freguesia, concelho e vila de S. Miguel do Outeiro, isto no séc. XVII, mais precisamente em, 1601 onde se lê: “Aos 29 dias do mês de Maio do sobredito anno faleceu Gaspar Joam de Parada de Gonta não fez mão da ficou sua mulher comprir sua Alma, e por ser verdade fiz e assinei aqui, Ludovico”.

            Pais de Figueiredo, referindo-se a uma alusão ao nome de Gonta para Parada pelo Dr. Fernando Agostinho de Figueiredo (como se sabe, andou muito perto ligado às coisas de Tomás Ribeiro, ao ponto de dar o nome daquele antigo Presidente da Câmara Municipal de Tondela à Biblioteca – Museu desta actual cidade elegendo-o como patrono) diz que para vermos que aquele Gonta não surgiu ao acaso, por geração espontânea mas que é tão somente a resultante corrupleta popular, se assim se pode dizer, operada ao longo das idades, de uma palavra Inglesa, há que remontar ao séc. XIV e mais propriamente ao Tratado de Windsor.

Lê-se, a propósito, na história do exército português da autoria do General Ferreira Martins.

(…) “Preparava-se entretanto o duque de Lencaster, animado pelas revezes dos Castelhanos, para voltar à Península a procurar garantir seus direitos à coroa de Castela; e em Julho daquele mesmo anno (1386) desembarcava com um exército na Galiza. Previamente, tinha obtido do rei de Inglaterra,  Ricardo II, que entre este rei e o rei de Portugal fosse assinado o Tratado de Windsor (9 de Maio de 1386) de amizade e aliança entre os dois reinos, visando principalmente o auxilio mútuo contra Castela. À sombra deste tratado, em Março de 1387 forneceu D. João ao duque – já então seu sogro pelo recente casamento do rei com D. Filipa de Lencastre (Lencaster) – uns milhares de lanças, besteiros e peões, e em 2 de Abril seguinte o exército Anglo-Luso ia põe cerco à fonte praça de Benavente, a 14 léguas da fronteira nordeste de Trás-os-Montes. Levantaram os aliados o cerco de terem, numa diversão sobre Astorga, assaltado e saqueado essa cidade, e seguidamente foram tomar outras localidades da região, assinalando a sua marcha, o que era próprio da época, pela devastação e saque” (…).

            Lograram tais negociações satisfazer em parte as ambições do duque Inglês que facilmente aceitou um acordo.

Gonta aparece então nesta altura, quando as tropas Inglesas por ali andavam e, depois de uma cavalgada, permaneceram em Parada. O Duque de Lecanter era de seu nome João Gant, pai da D. Filipa de Lencastre esposa do nosso X rei, nascida do primeiro matrimónio do duque, que foi casado duas vezes, a sua primeira esposa foi D. Branca, de ascendência Castelhana.

Era por ela que se arrogava direitos à coroa de Castela, direitos que pleiteou rijamente pela força. O duque, nas suas andanças pelo norte do nosso país e particularmente pelas beiras, estacionou durante algum tempo com sua gene-de-armas, a curto deslado de Parada, não se sabendo, ao certo, se aquela permanência foi de longa ou curta duração.

            O povo não tardou em se afeiçoar ao seu gosto e ao seu trato, a palavra Gant (leia-se guante) substituindo-a por Gonta. O seu uso, que em muitos casos faz lei, apoderou-se dela, acabando por a acrescentar ao primitivo nome da povoação. E assim a velha Parada dos documentos medievais passou, desde então a ser a actual Parada de Gonta forma que conserva.

            Além destes estudos que nos apresentam os autores citados, a tradição popular vai de encontro às teses deferidas, postulando ela na mais antiga tradição oral, que, parando um cavaleiro nesta povoação onde questionando sobre a terra lhe acrescentou o nome de Gonta por ser esse o seu nome. Entendida na proporção devida, poder-se-á extrair uma analogia verosímil, senão mesmo um corolário lógico das mesmas teses.

 

Trabalho elaborado pelos jovens do OTL em 1990 - DESCOBRIR O PARIMÓNIO Edição: Grupo Cultural e Recreativo “ Os Amigos de Parada de Gonta”

Ø     Brasão:

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http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/85/TND-paradagonta.png